segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O cortejo dos sedentos

Solene, grandiosa e majestosa a paisagem do deserto.
Extensões intermináveis de areia e de pedra, sem vida, sem água, sem verde.
Os que atravessam as terras do deserto sentem a tortura da sede, a garganta a lhes queimar, a impressão de que a morte está próxima. Onde encontrar água?

Há os caminhantes e viandantes que percorrem a trilha da vida com sede do Absoluto, com desejo de matar a sede interna que não é saciada com a água do rochedo, nem com a água das cisternas, mas com a água da fonte que é Cristo. Água que sacia a sede de amor, de verdade, de partilha, de lisura que queima o mais íntimo dos que são retos de coração.

Cristo é a Fonte da Vida!
Beba você também dessa Fonte!
- Frei Almir Ribeiro Guimarães -


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

É preciso esforço

Certo dia, um homem caminhava por uma estrada deserta e começou a sentir fome.
Não estava prevenido, pois não sabia que a distância que ia percorrer era longa.
Começou a prestar atenção na vegetação ao longo do caminho, na tentativa de encontrar alguma coisa para acalmar o estômago. De repente notou que havia frutos maduros e suculentos em uma árvore. Aproximou-se, mas logo desanimou, pois a árvore era muito alta e os frutos inacessíveis. Continuou andando e foi vencido pela fome e o cansaço. Sentou-se na beira do caminho e ficou ali lamentando a sorte.
Não demorou muito e ele avistou outro viajante que vinha pelo mesmo caminho. Quando o viajante se aproximou, o homem notou que ele estava comendo os frutos saborosos que não pudera alcançar e lhe perguntou: "Amigo belo fruto você encontrou". "É, respondeu o viajante. Eu o encontrei no caminho, a natureza é pródiga em frutos suculentos". "Mas você tem a pele machucada", observou o homem. "Ah, mas isso não é nada! São apenas alguns arranhões que ficaram pelo esforço que fiz ao subir na árvore para colher os frutos".
E o homem, agora com mais fome ainda, ficou sentado resmungando, de estômago vazio, enquanto o outro viajante seguiu em frente.
Y
Algumas vezes, fatos como esse também ocorrem conosco.
Ficamos sentados lamentando o sofrimento, mas não abrimos mão da acomodação para sair em busca da solução. Esquecemos que é preciso fazer esforços, lutar, persistir.
É muito comum ouvir pessoas gritando por um "lugar ao sol", mas as que verdadeiramente querem um lugar ao sol trazem algumas queimaduras, fruto da luta pelo ideal que almejam.
Outras, mais acomodadas, dizem que Deus alimenta até mesmo os pássaros. Por que não haveria de providenciar o de que necessitam? Essas estão certas, em parte, pois se é verdade que Deus dá alimento aos pássaros, também é certo que Ele não o joga dentro do ninho. O trabalho de busca pelo alimento é por conta de cada pássaro, e muitas vezes isso não é fácil. Há situações em que eles se arriscam e até saem com alguns arranhões.
Por essa razão, lembre-se sempre de que Deus a todos ampara, mas a caminhada, os passos, a busca, são por conta de cada um. Por vezes a escalada é árdua, exaustiva, solitária. Mas é preciso fazer esforços para alcançar o fruto desejado, principalmente em se tratando dos frutos que saciam a sede da alma.
Jesus ensinou: Batei, e a porta se abrirá. Mas os passos até chegar à porta e o esforço por bater, são necessários. Buscai e achareis. Outra recomendação na qual está contida a ação necessária. Buscar é movimento, é esforço, é ação. Seria diferente se Jesus tivesse dito: Espere passivamente que a porta se abrirá, ou, fique aí parado que o que deseja chegará até você. No entanto, é preciso saber o que se busca e por qual porta desejamos entrar. Ainda aí nossa escolha é totalmente livre. Nossa vontade é que nos conduzirá aonde queremos chegar. Sendo assim, façamos a nossa escolha e optemos por chegar lá, e chegar bem.
Deus dá asas a todos os pássaros, mas enquanto as andorinhas voam em busca dos climas primaveris e os colibris descobrem novas flores, os abutres farejam a morte para alimentar-se com os restos dos animais vencidos.
- desconheço o autor -
YYY