- Evangelho segundo São Mateus 19:16-22 -
Jesus e o jovem rico
Y
O jovem se dirige ao Senhor, “bom Mestre” e depois “foi embora muito triste, porque possuía muitos bens”. A resposta de Jesus o surpreende: “Ninguém é bom, só Deus é bom”, o que parece não corresponder ao que ele estava procurando.
O jovem rico imagina tudo em termos de ter: seus bens terrenos, o bem que dá acesso ao céu e se ele chama Jesus de “bom Mestre” é porque espera ganhar através dele a glória eterna. Como de costume, Cristo procura elevar este desejo muito natural às perspectivas sobrenaturais que são as da fé: o Bom, o Bem, a Felicidade, o Céu se identificam com Deus, pois todos estes nomes, que a filosofia qualifica de “Transcendentais”, como o Verdadeiro e o Belo, designam qualidades inerentes ao Ser. Há identidade entre Deus que se nomeia “Eu sou” e a Verdade, a Bondade e a Beleza.
A insistência de Jesus é sobre “só Deus”, como dizendo “uma só coisa te falta”, sublinhando a oposição entre o Bem, único, que traz Felicidade eterna do céu, e a multiplicidade insuficiente das riquezas. Em que o jovem colocava toda sua segurança? No que ele possuía ? Eis que Jesus mostra que ela só pode ser encontrada em Deus, seu verdadeiro tesouro. Onde está o teu coração? Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração. Ele se encontra diante da séria decisão entre Deus e as riquezas materiais, lembrando-nos a parábola da pérola pela qual se sacrifica todo o resto.
"Somente Deus pode satisfazer o desejo mais profundo de nosso coração. Quando se experimenta a bondade do Pai celestial, “testemunhada pelo próprio Verbo”, escreve Clemente de Alexandria (215), somos atraídos a Ele e prontos a nos abandonarmos em suas mãos".
Y
Senhor,
nossos corações foram atraídos por vós
e vós nos abristes os tesouros do céu.
Que possamos dar-nos totalmente a vós,
doando-nos generosamente
aos nossos irmãos e irmãs!
YYY
